Apontamento nº1

Os elementos são a base do quadro de energias da astrologia. Se derivam de quatro qualidades primitivas, que se organizam nos dois seguintes pares de opostos:

Quente e Frio

Úmido e Seco

Quadro de formação dos elementos

Seco e Quente Fogo

Polaridade Yang –

Positiva – Masculina

Seco e Frio Ar
Úmida e Quente Terra

Polaridade Yin –

Negativa – Feminina

Úmida e Fria Água

 

 

Qualidades Primitivas

Seco Menos denso e menos sensível
Úmido Mais denso e mais sensível
Quente Mais móvel e rarefeito
Frio Mais estático e concentrado

 

E devido a estas mesmas primitivas qualidades podemos ordenar os elementos desde cima até embaixo, deste modo:

Fogo [seco e quente]: o mais móvel dos elementos, inconstante, porém iluminador. Fugaz. Filho do alto e que ao alto quer tornar. Originalmente habitava o céu. O magma convulso que habita o centro dos corpos materiais é um pouco de céu nas coisas do mundo. Pondo vistas a inconstância do fogo: é uma fidelidade para com o céu. Portanto o ser do fogo é o aqui há de se consumir em busca de um outro lar. O tempo do fogo: é apenas num instante que o fogo se dá.

Ar [seco e frio]: se faz da mesma mobilidade do fogo, mas no entanto há de considerar as coisas e não torrá-las, teve então de se concentrar [esfriar]. Teve de por o inaudito à fresca e tentar concertar em convenções o que não pode ser dito. Assim como móvel, inconstante. Porém aqui inconstância in extremis, pois inconstância da palavra, do tradutor, que se quer fiel tanto ao que esta em cima quanto ao que está embaixo. Aqui o tempo é o das horas e dos dias, tempo biruta dos ponteiros do relógio que aponta para onde sopra a corrente [vento] de todos os sucessivos pensamentos.

Terra [úmida e quente]: aqui chegamos a imobilidade do firme, do firmado, do timbrado nas coisas que sempre hão de morrer. O inaudito já tinha se feito palavra, agora a palavra tinha de se fazer voz. Aqui não há mais que se contar o tempo, mas sim, há que se viver o tempo das e nas coisas; um tempo tão-só e exclusivamente fiel ao ser daquelas mesmas coisas.

Água [úmida e fria]: a imobilidade se esfria e tende a uma queda sem fim. Quer sumir pelas frestas do limite, e por fim, tende a tudo querer dissolver. Aqui constância e inconstância já não são opostos. Perde-se o firme e ingressa-se naquilo que a tudo abarca e que se concentra no absolutamente escuro. Aqui o tempo é sem nome, sem passado e sem futuro a que ir ter, mas feito de eras inteiras, de um sofrer sempre fiel à espera de que tudo ainda venha a se resolver em um outro qualquer instante.

About Jaime Medeiros Júnior

poeta e escritor portoalegrense
livros: na ante-sala [2008]
retrato de um tempo à meia-luz [modelo de nuvem – 2012]
pediatra

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